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Quando expandir o portfólio de produtos começa a diluir a marca

há 15 horas
7 min de leitura

Empresas que ampliam o portfólio de produtos ou serviços antes de consolidar relevância no mercado podem enfrentar um problema que aparece de forma gradual. Enquanto novas ofertas chegam aos canais de venda, à comunicação e à força comercial, a marca precisa dividir entre as soluções a atenção que ainda está construindo junto ao público.


A expansão pode parecer sinal de crescimento, principalmente quando cada lançamento abre uma possibilidade de receita, atende a uma demanda específica ou permite alcançar outro segmento. O problema começa quando a quantidade de ofertas cresce em um ritmo maior do que a capacidade da empresa de construir significado, preferência e reconhecimento para cada uma delas.


É nessa diferença entre crescer em quantidade e crescer em relevância que começa a discussão sobre diluição de marca. Continue a leitura para entender melhor.


Portfólio de produtos maior não significa maior relevância


Reconhecimento, associação, preferência, confiança e capacidade de ocupar um espaço claro na memória do público ajudam a construir a relevância de uma marca, mas aumentar o número de produtos, por si só, não garante nenhum desses fatores. 

Quando novos lançamentos entram no mercado em sequência, a atenção que poderia contribuir para consolidar produtos já lançados passa a ser distribuída entre diferentes mensagens, campanhas, equipes comerciais e prioridades.


Uma meta-análise publicada no Journal of Marketing avaliou 2.134 efeitos encontrados em pesquisas realizadas entre 1990 e 2020 e identificou que o valor da marca de origem e a adequação da extensão influenciam positivamente o sucesso de extensões de marca. O estudo também encontrou uma interação positiva entre esses fatores, embora os efeitos variem de acordo com as diferentes dimensões analisadas.


Uma nova oferta é interpretada a partir das associações que o público já possui com a marca e da relação que consegue estabelecer entre aquilo que conhece e o que está sendo apresentado. Quando essa conexão ainda é frágil, a extensão pode exigir mais esforço para construir sua própria relevância e, ao mesmo tempo, explicar seu lugar dentro do portfólio.


Os produtos e as marcas passam por um processo de aprendizagem no mercado, durante o qual a empresa observa vendas, recompra, percepção, objeções, distribuição e comportamento do consumidor, enquanto o público começa a entender para que aquela oferta serve, quem ela atende e por que deveria considerá-la.


Esse processo pode ser chamado de tempo de maturação, mas o intervalo depende da categoria, do ciclo de compra, da complexidade da decisão, do investimento necessário, da frequência de consumo e da força que a marca já possui naquele território.


Antes de abrir uma nova frente, a empresa precisa reunir evidências suficientes para entender se a oferta anterior encontrou espaço no mercado e se sua proposta já pode ser sustentada sem depender continuamente de explicações, descontos ou esforços extraordinários de comunicação.


O mercado precisa entender por que a nova oferta pertence à marca


Quando diferentes ofertas precisam coexistir dentro de uma mesma estrutura, a arquitetura de marca ajuda a definir o papel de cada uma e a relação que elas devem manter com a marca principal. O case do Grupo BLB mostra esse desafio em um contexto de expansão para diferentes frentes de negócio.


Uma pesquisa publicada no Journal of Brand Management analisou a coesão visual de portfólios no setor de bens de consumo embalados do Reino Unido, considerando nove categorias, 125 marcas e 1.023 produtos, e encontrou uma média de 65% de consistência no uso de elementos de marca entre os produtos analisados, identificando uma relação entre o tamanho do portfólio e a quantidade de elementos visuais utilizados.


Como a pesquisa foi realizada especificamente no setor de bens de consumo embalados do Reino Unido, seus resultados não devem ser tratados como regra para todos os mercados. Ainda assim, o estudo evidencia um desafio recorrente: quanto mais ofertas uma marca administra, maior pode ser o esforço necessário para preservar os elementos que permitem reconhecê-las como parte de um mesmo sistema.


No momento em que cada novo produto altera excessivamente os códigos que identificam a marca, o portfólio pode ganhar opções ao mesmo tempo em que perde elementos capazes de criar reconhecimento e conexão entre essas ofertas.


A complexidade cresce junto com o portfólio


O crescimento do portfólio também produz efeitos dentro da própria empresa, já que cada nova oferta pode acrescentar decisões relacionadas a embalagem, comunicação, distribuição, estoque, treinamento comercial, atendimento, tecnologia e mensuração.


Quanto mais frentes precisam ser administradas, maior é a necessidade de definir onde concentrar recursos e quais produtos efetivamente contribuem para os objetivos do negócio.


Uma análise da McKinsey sobre complexidade de portfólio avaliou dados de 53 empresas de bens de consumo entre 2010 e 2014. Entre as empresas analisadas, as que estavam no grupo de melhor desempenho obtinham cerca de 75% do crescimento da receita a partir de apenas 13% de suas células de negócio, enquanto as empresas do grupo de desempenho inferior precisavam de 33% dessas células para gerar o mesmo nível de crescimento.


Por se tratar de uma análise específica do setor de bens de consumo, o dado não pode ser transferido diretamente para qualquer mercado. Ele, porém, ajuda a evidenciar uma questão de alocação de recursos: quando a empresa distribui esforços por muitas frentes, pode se tornar mais difícil concentrar atenção nas áreas que efetivamente contribuem para o crescimento.


Outra análise da McKinsey sobre otimização de portfólio com inteligência artificial generativa destaca a dificuldade de encontrar o equilíbrio entre variedade e complexidade. Segundo o estudo, oferecer poucas opções pode fazer a empresa perder demanda, enquanto um excesso de produtos e variantes pode elevar a complexidade operacional e pressionar a rentabilidade.


Um portfólio saudável também precisa saber o que retirar


Se toda discussão sobre crescimento termina em um novo lançamento, a empresa pode acabar tratando expansão como sinônimo de evolução. Um portfólio precisa ser analisado pelo que permanece, pelo que precisa ser reorganizado e pelo que deixou de cumprir uma função relevante para o negócio.


É importante avaliar produtos considerando custos, vendas, margem, relações entre itens e complexidade operacional, em vez de observar cada SKU de maneira isolada.

Isso significa que produtos com baixa relevância comercial, baixa margem ou pouca conexão com a estratégia não devem ser avaliados apenas pela pergunta “podemos continuar vendendo?”. É preciso considerar qual função aquela oferta exerce dentro do portfólio, quanto custa sustentá-la e se sua permanência ainda faz sentido diante das prioridades atuais do negócio.


Essa avaliação também precisa considerar a relação entre a extensão e a marca de origem. Uma meta-análise publicada no Journal of Consumer Psychology reuniu pesquisas experimentais sobre os efeitos de informações negativas associadas a extensões de marca e investigou fatores que ajudam a explicar quando esse retorno pode ocorrer.


A evidência reforça a necessidade de considerar a extensão dentro do sistema de marca, porque seus efeitos não precisam ficar restritos ao produto lançado.


Como identificar quando o portfólio cresceu antes da marca


Quando diferentes equipes descrevem a marca de maneiras distintas, quando a força comercial precisa explicar repetidamente a relação entre produtos ou quando o consumidor encontra dificuldade para entender por que determinadas ofertas pertencem à mesma empresa, existe um sinal de que a arquitetura do portfólio pode precisar de revisão.


Alguns sinais ajudam a identificar esse desalinhamento:

  • A marca é descrita de maneiras diferentes: áreas da empresa, equipes comerciais ou canais de comunicação apresentam propostas que não parecem pertencer à mesma marca.

  • A relação entre as ofertas não é clara: vendedores precisam explicar repetidamente o que conecta os produtos ou serviços e qual é o papel de cada um dentro do portfólio.

  • Cada lançamento parece pertencer a uma marca diferente: novas ofertas chegam com narrativas, identidades e propostas pouco relacionadas ao que já existe.

  • Os produtos disputam o mesmo espaço: diferentes itens competem pelo mesmo público, ocasião de consumo ou canal sem uma arquitetura que deixe claras suas funções.

  • A empresa não consegue sustentar todas as frentes: comunicação, força comercial e outras áreas precisam concentrar esforços em determinados produtos porque não conseguem trabalhar o portfólio com a mesma profundidade.

  • A expansão começa a pressionar o negócio: produtos dependem constantemente de descontos, apresentam baixa recompra ou geram receita sem margem suficiente, especialmente quando esses sinais aparecem junto de dificuldades operacionais ou baixa clareza de posicionamento.


Nenhum desses indicadores, isoladamente, determina que um produto deva ser retirado. O diagnóstico precisa cruzar percepção de marca, comportamento do consumidor, desempenho comercial, margem, capacidade operacional e coerência estratégica para definir se o próximo movimento deve ser consolidar, reorganizar, expandir ou interromper determinada frente.


Onde a Onlime entra nessa decisão


Na Onlime, o trabalho começa pelo diagnóstico do que a marca já construiu, daquilo que o público reconhece e das lacunas que ainda precisam ser trabalhadas. A partir dessa leitura, posicionamento, arquitetura, narrativa, identidade e comunicação passam a ajudar a organizar a relação entre negócio, portfólio e percepção de mercado.


Dependendo do cenário, isso pode significar expandir, consolidar uma oferta existente, reorganizar o portfólio ou rever frentes que já não apresentam a mesma relevância estratégica. Em alguns casos, também pode significar adiar um lançamento até que a marca tenha estrutura suficiente para sustentá-lo, porque o momento de colocar um produto no mercado faz parte da estratégia tanto quanto a definição de sua proposta.


O case do Grupo BLB ilustra justamente esse tipo de decisão. Ao estruturar quatro frentes de atuação sob uma arquitetura mais clara, a Onlime buscou preservar a força da marca-mãe e, ao mesmo tempo, estabelecer funções específicas para cada unidade. O resultado foi uma estrutura em que as diferentes áreas poderiam construir sua presença comercial sem perder a conexão com a autoridade do grupo. 


É justamente nessa decisão que o branding deixa de acompanhar o crescimento apenas pela comunicação e passa a participar da definição das condições necessárias para que esse crescimento seja sustentável.


Crescer com direção envolve entender quando lançar, quando consolidar, quando reorganizar e, em alguns momentos, quando esperar. Expandir sem estrutura dispersa atenção, recursos e significado; construir uma marca capaz de sustentar o próximo movimento exige clareza sobre aquilo que já existe antes de adicionar mais uma frente ao portfólio.


Para a Onlime, marca é estrutura de crescimento e é a partir dessa estrutura que cada novo produto, serviço ou categoria pode contribuir para fortalecer o negócio, em vez de simplesmente aumentar o número de soluções.


Se a sua empresa está ampliando o portfólio e precisa entender qual deve ser o próximo movimento, converse com a Onlime sobre a estratégia da sua marca.


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